Sucesso do verão, 'Metralhadora' mescla 'Mad Max' e feminismo

Pulinho para o lado, mãos em forma de metralhadora, rebola e "trá trá trá trá trá". Eis a coreografia que alvejou Salvador neste ...

Pulinho para o lado, mãos em forma de metralhadora, rebola e "trá trá trá trá trá". Eis a coreografia que alvejou Salvador neste verão. "A gente metralha com amor", diz Tays Reis, 21, a Vingadora, nome da banda que lidera.

Tays Reis, da banda Vingadora, em cena do clipe de "Metralhadora" - (Foto: Heber Barros/Divulgação)
Ela é dona do hit "Metralhadora", lançado em maio e fenômeno na internet --em um mês, o clipe da faixa foi visto 30 milhões de vezes no YouTube.

A receita: um vídeo com toques do visual guerreiro do filme "Mad Max", passos de dança grudentos, acordes de violino e, de acordo com a cantora, feminismo.

Tays Reis, da banda Vingadora, em cena do clipe de "Metralhadora" - (Foto: Heber Barros/Divulgação)

Sim, para Tays, a apologia de seu personagem não é da violência, mas do poder das mulheres. "Quando as pessoas veem algo se destacando, querem achar um ponto fraco. A Vingadora é forte e feminista no sentido musical", defende. "Até então, mulher não fazia arrochadeira."

Cabe, aqui, definir aos leigos o conceito de arrochadeira. "Nem tão sofrência, nem tão pagodado", explica Tays. Traduzindo: o gênero tem a melodia brega que inspira o arrocha, mas sem as letras de coração partido.

No caso do hit da Vingadora, o tema é o próprio ritmo, com referências aos paredões de som, comuns no interior da Bahia, onde a arrochadeira é febre --o videoclipe mostra uma guerra de paredões entre homens e mulheres.

SEM AXÉ

"Metralhadora" é só mais um dos hits de um Carnaval de Salvador que há muito já não tem no axé seu maior alicerce. Gêneros como o forró e o sertanejo têm espaço consolidado no circuito --neste ano, vão desfilar a dupla Jorge e Mateus e o forrozeiro Wesley Safadão, entre outros.

Há também híbridos, como o pagofunk (mistura de pagode com funk), além da arrochadeira. "As coisas caem na mesmice. O axé comandou por 30 anos, a Bahia também quer outras coisas", diz a cantora.

Nascida em Ilhéus, no sul da Bahia, Tays faz, neste ano, sua estreia no Carnaval da capital já como uma das protagonistas. Ela nunca participou da festa, nem mesmo como foliona. "Minha mãe nunca deixou."

Serão dois dias de desfiles em cima do trio, quatro apresentações em camarotes, além de shows pelo interior.

A banda tem só um ano. No início, eram cerca de dez shows por mês. Hoje, são 30.

É claro que a visão comercial ajudou --a ideia por trás da Vingadora foi criada em parceria com o empresário Aldo Rebouças--, mas também houve um empurrãozinho da sorte: a coreografia, criada espontaneamente por um grupo de dança de Salvador, pegou nas academias.

Não é para menos: segundo Tays, a metralhadora é capaz de matar até cem calorias.

Fonte: F5 - Folha de São Paulo


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