Devido à seca, queda na safra agrícola do Piauí é a maior em 14 anos

PIAUÍ - A seca que atinge o Piauí há cinco anos consecutivos chegou ao ponto mais forte este ano, trazendo um prejuízo de pelo menos R$ 1,8...

PIAUÍ - A seca que atinge o Piauí há cinco anos consecutivos chegou ao ponto mais forte este ano, trazendo um prejuízo de pelo menos R$ 1,8 bilhão na safra de soja e milho 2015/2016 no estado. As duas culturas, que representam mais de 80% do agronegócio no Estado, sofreram perda de 70%, de acordo com Associação dos Produtores de Soja do Brasil (Aprosoja). Os executivos do agronegócio esperavam colher 2,3 milhões de toneladas, mas só conseguiram cerca de 705 mil. Foi a pior desde 2002, quando uma seca severa também prejudicou os produtores.

 “Nossa produção voltou ao nível de 2005, quando a área plantada era apenas 1/3 da de hoje”, afirma o presidente da associação no Piauí, Moyses Barjud. Naquele ano, os produtores de soja dos cerrados plantaram cerca de 165 mil hectares de soja e 50 mil de milho. Na safra 2015/2016, o plantio foi de 565 mil hectares de soja e 178 mil de milho.

Foto: Antonio Rocha
A expectativa era de uma colheita de 60 sacas por hectares de soja, mas a produtividade foi de apenas 16, uma queda de 73%. Na de milho, o prejuízo foi um pouco menor. Esperava-se colher 180 sacas por hectare, mas o resultado foi de 60 sacas.

Com a queda na colheita, os cerca de 350 produtores dos cerrados estão todos endividados, sem ter como pagar os empréstimos que tiraram para fazer o plantio. Apesar da alta rentabilidade com a produção da soja nos últimos anos, os produtores não investem capital próprio, mas precisam de financiamento, devido aos altos custos da cultura. Segundo a Aprosoja, para plantar um hectare, o produtor precisa colher pelo menos 48 sacas para pagar os custos. Se colher 47, por exemplo, já fica no prejuízo.

“É uma tragédia. E se não houve negociação com os bancos e o Governo Federal intervir, ninguém vai ter como plantar na próxima safra (2016/2017) sem recorrer às tradings (empresas que emprestam dinheiro a juros mais altos que os bancos). E quando um negócio tem que recorrer às tradings, é porque está quebrado”, afirma Barjud.

A queda na produção pode afetar muito a economia do Piauí, pois segundo Barjud, o agronegócio representa 20% do Produto Interno Bruto do Estado, que atingiu R$ 31 bilhões em 2013, último ano com os dados disponíveis, segundo o IBGE.

Prejuízo se estendeu por todo o Matopiba

O prejuízo de soja não foi apenas no Piauí, mas em toda a reigão do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). Segundo reportagem do jornal O Estado de São Paulo, a seca descapitalizou o produtor, comprometendo o financiamento da próxima temporada. O prejuízo nos quatro estados foi de R$ 3,9 bilhões, segundo cálculos da Agroconsult, o que pode levar a uma redução de área plantada de 560 mil hectares.

Para manter os 5,2 milhões de hectares de soja, milho e algodão plantados nos quatro Estados nesta safra, seriam necessários R$ 11,6 bilhões, um incremento de 10,5% em relação aos recursos da safra anterior. Os produtores, no entanto, só poderão contar com cerca de R$ 6,6 bilhões, tanto de capital próprio quanto de crédito rural, financiadoras e tradings, levando a um rombo da ordem de R$ 5 bilhões.

O Matopiba já vem amargando alguns anos de estiagens, com safras de margens estreitas que vêm descapitalizando o produtor. Neste ano, no entanto, o prejuízo superou até as previsões mais pessimistas. Desde novembro, as projeções de produtividade de soja caíram 54% no Piauí, 43% no Maranhão, 36% no Tocantins e 35% na Bahia. Na safra 2015/16, o produtor colocou na terra R$ 4 bilhões do bolso – o que representou 38% do financiamento da safra – e viu R$ 3,9 bilhões irem embora. (Robert Pedrosa)

Fonte: Jornal O Dia

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