Reportagem Especial: O impacto da seca na Barragem de Bocaina

BOCAINA – A seca que atinge o semiárido piauiense nos últimos cinco anos não dá trégua. A estiagem tem afetado principalmente as barragens...


BOCAINA – A seca que atinge o semiárido piauiense nos últimos cinco anos não dá trégua. A estiagem tem afetado principalmente as barragens, que por falta de chuvas regulares estão secando. Um exemplo é a barragem de Bocaina, situada a aproximadamente 340 quilômetros da capital Teresina.  


A construção da Barragem de Bocaina teve início no ano de 1980 e foi concluída em 1984, sobre a responsabilidade do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS). A obra foi executada pelo Terceiro batalhão de Engenharia e Construção (3º BECnst) sediado na cidade de Picos. 

O reservatório possui capacidade para 106 milhões de metros cúbicos de água, mas devido à falta de chuvas, está com 16 milhões, o que representa apenas 9% da sua capacidade hídrica. Para o Técnico de Barragens do DNOCS, Francisco Alves, essa é a pior seca enfrentada pela Barragem de Bocaina. 

“A barragem de Bocaina está muito baixa, nós estamos com 16 milhões de metros cúbicos de água o que equivale a 9% da capacidade dela, e temos também a vazão da válvula dispersora que é para perenizar o rio Guaribas e irrigar, isso faz com que a barragem baixe ainda mais rápido e como hoje nós temos as previsões de chuvas fraquíssimas, cada vez ela vai baixar mais”, afirmou. 



Além da seca outro fator contribui para que o nível da água fique mais baixo a cada dia. A comporta da barragem está aberta e de acordo com o Francisco Alves, só será fechada com a chegada do período chuvoso.  

“Quem manda hoje na agua da barragem de Bocaina é a ANA, Agência Nacional de Águas, é ela quem autoriza o DNOCS a abrir a comporta e a segue as orientações. Quanto a previsão para fechar é quando chegar o período de inverno”, acrescentou. 

O impacto da seca tem reflexo direto no bolso dos comerciantes que atuam na barragem de Bocaina. Polo turístico do centro sul piauiense, anualmente centenas de turistas visitam o local. Contudo, o cenário atual não tem atraído muitos clientes e alguns estabelecimentos fecharam as portas e os que ainda resistem amargam a queda nas vendas. 

De acordo com o comerciante Marildo Feitosa, de sete barracas que existiam na barragem, hoje só restam duas.  

“O movimento diminuiu bastante por conta da estiagem, a paisagem mudou e a questão financeira também que o pessoal não está querendo gastar. Aqui funcionava sete barracas e hoje só tem duas, a minha e a de seu Edilberto. A gente tinha um quadro de funcionários e diminuiu um pouco, pois não tínhamos clientes e essa é uma reação em cadeia”, afirmou.  

Assim como o setor do turismo, outra atividade que sofre com a seca é a piscicultura. O Josimar é piscicultor e relata as dificuldades enfrentadas por causa da seca. “Com essa estiagem a produção diminuiu e fica difícil de a gente manter a atividade aqui”, afirmou.  

Criada em junho de 2005, a Cooperativa Aquícola Regional de Picos - COAPI, já chegou a contar com 20 associados ativos, hoje são apenas seis cooperados. De acordo com o tesoureiro da COAPI, João Luz, mais conhecido como João Bernardes, de 14 funcionários que trabalhavam diariamente na cooperativa, restam 4. 

“Nós chegamos a produzir 350 toneladas de peixes por ano e hoje estamos com 50 toneladas, redução terrível que está fazendo o pisicultor sofrer demais, tanto o pisicultor como as pessoas que trabalhavam aqui, tínhamos 14 pessoas trabalhando diariamente e hoje estamos com 4 pessoas, redução”, afirmou. 

A redução na quantidade de peixes também foi grande. “A gente criava 100 peixes por metro e hoje estamos com 25 peixes, uma redução de 75%.  A situação dolorosa, e para mudar isso é ter Fé em Deus e esperar chuva”, acrescentou. 





















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