Abertura comporta da Barragem de Bocaina divide agricultores e comerciantes

A abertura antecipada da comporta da Barragem de Bocaina, no Sul do Piauí, tem dividido opiniões na região entre quem depende da água para trabalhar e quem vive do turismo às margens do reservatório. A medida foi adotada neste começo de ano como forma de garantir o fornecimento de água à agricultura em meio à estiagem prolongada. 

Comporta foi aberta mais cedo este ano. Foto: Antonio Rocha / Rede Clube

Agricultores que utilizam a água do Rio Guaribas para irrigar plantações afirmam que a liberação é essencial para manter a produção, que depende de canais e bombas para levar o recurso até as lavouras. A estiagem e a falta de recarga do reservatório estão entre os fatores que motivaram a decisão de liberar água pela comporta antes do esperado. 

De acordo com a gestão local da barragem, a abertura é feita com controle para garantir o fluxo necessário ao campo sem esgotar o volume do reservatório, que ainda enfrenta baixa recarga neste período. A estratégia busca equilibrar o uso da água com a necessidade de preservar o reservatório até que as chuvas retornem. 

Construída na década de 1980 com foco na agricultura, a Barragem de Bocaina, uma das maiores da região, também se tornou ponto turístico e alternativa de lazer para moradores e visitantes. Restaurantes, barracas e passeios de lancha nas margens são importantes fontes de renda para a comunidade local. 

Reservatório foi construído na década de 1980 pelo Governo Federal. Foto - Antonio Rocha 

A abertura da comporta tem atraído curiosos e turistas, que visitam o local para observar a vazão da água. No entanto, comerciantes alertam para os riscos de manter a comporta aberta por muito tempo: o escoamento contínuo pode reduzir o nível da barragem, afetando a economia local que depende tanto da agricultura quanto do turismo. 

A Prefeitura de Bocaina informou que estuda os impactos da redução do volume da barragem sobre o turismo e outras atividades econômicas, como a piscicultura. O diálogo com agricultores e comerciantes segue para tentar reduzir os efeitos negativos da medida enquanto a seca persiste. 

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