Reisado: Fé e Tradição

Reisado na Vila Brejo, São João da Canabrava, janeiro de 2017. Foto - Arquivo Canabrava News


Produzida originalmente em 2017, esta reportagem volta a ser publicada neste Dia de Reis, como forma de valorizar quem mantém viva uma das mais importantes manifestações culturais do município: o Reisado.

CLIQUE AQUI  e veja fotos! 

Reisado no Brejo, em 2017. Foto - Arquivo do Canabrava News


Em São João da Canabrava, a tradição de “brincar o reisado” atravessa gerações na família do agricultor José Antonio de Sousa, mais conhecido como José Valdivino. Aos 63 anos, ele é um dos principais responsáveis por manter ativa a herança cultural deixada pelo pai, o saudoso Antonio Valdivino, que já participava da Festa de Reis desde a década de 1940.

José Valdivino. Foto - Arquivo Canabrava News


José Valdivino conta que começou ainda muito jovem.

“Comecei com 13 anos. Meu pai e meus tios já brincavam desde muito tempo. Quando eles ficaram mais velhos, a tradição deu uma parada, mas depois reunimos um grupo com Aparecida, Barão, Luís Quinco e outros amigos e voltamos a brincar. Tivemos algumas interrupções, mas agora a intenção é seguir firme com o reisado”, relembra.

José Valdivino ao lado dos filhos. Foto - Arquivo Canabrava News



Para celebrar o Dia de Reis, comemorado em 6 de janeiro, o grupo liderado por José Valdivino se reuniu na vila Brejo, na casa do agricultor José Miguel Bezerra Filho, reafirmando o compromisso com a cultura popular e com a fé que envolve a festa.

Outro integrante que carrega a tradição familiar é o agricultor Raimundo Lino da Rocha, conhecido como Barão. Ele aprendeu a valorizar o reisado com o pai, Lino Manoel da Rocha, já falecido.

Raimundo Lino, o Barãozinho. Foto: Arquivo Canabrava News


“Meu pai tinha prazer em receber o reisado. Eu brinco há muitos anos e acredito que essa cultura não pode ser esquecida. Foi algo que ele e meus irmãos deixaram, e enquanto eu puder, vou continuar”, afirmou.

O repentista Antonio Veloso, que também participa das apresentações, destacou a importância do incentivo para que manifestações como o Reisado continuem existindo.

Repentista Antonio Veloso. Foto - Arquivo Canabrava News 


“Manter a tradição é muito importante, mas hoje enfrentamos dificuldades, principalmente para envolver a juventude. O poder público poderia incentivar não só o Reisado, mas outras expressões culturais da nossa cidade”, pontuou.

Mesmo diante dos desafios, José Valdivino garante que a tradição seguirá viva. Ele já está passando o ensinamento para os filhos mais novos, Francisco José, de 18 anos, e Paulo, de 12.

“Pra mim é uma brincadeira abençoada. Coloco meus filhos para participar para que eles aprendam, gostem e deem continuidade. Eles têm interesse, e isso me deixa muito feliz”, disse.

Na apresentação do Dia de Reis, José Francisco participou como careta, um dos personagens principais do Reisado.

“Quero continuar para manter a nossa tradição”, afirmou.


A Festa de Reis

Festa de Reis. Foto - Arquivo Canabrava News


O Reisado é uma manifestação cultural de origem portuguesa, trazida ao Brasil no período colonial e preservada até hoje em várias regiões do país. A festa acontece entre o Natal e o Dia de Reis (6 de janeiro), quando grupos percorrem ruas e residências cantando os chamados ternos, relembrando o nascimento de Jesus e homenageando os Três Reis Magos.

Entre as principais marcas do Reisado estão os trajes coloridos, com chapéus enfeitados por fitas, espelhos e adereços, além da estrutura tradicional das apresentações, que seguem um roteiro com abertura da porta, louvação, danças, encenações e despedida.

Em São João da Canabrava, graças a grupos como o liderado por José Valdivino, o Reisado segue resistindo ao tempo, reafirmando a identidade cultural e mantendo viva uma tradição que atravessa gerações. 

Postar um comentário




Publicidade