Chefe de cartório é exonerada após defender demissão de petistas

Servidora de Piripiri perdeu função de chefia após compartilhar publicação contra eleitores do partido; caso será apurado pelo TRE-PI e reacende debate sobre discriminação política no trabalho.

Foto: Reprodução 

A exoneração da chefe do Cartório Eleitoral de Piripiri, no Norte do Piauí, após o compartilhamento de uma publicação que incentivava a demissão de trabalhadores por suas escolhas políticas, reacendeu o debate sobre discriminação no ambiente de trabalho e a imparcialidade exigida de servidores da Justiça Eleitoral.

O caso veio a público nesta quarta-feira (28), após o presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE-PI), desembargador José Wilson Ferreira, confirmar a retirada de Lucimeire Barroso da função de chefia. A servidora compartilhou, nas redes sociais, uma mensagem que sugeria a demissão de funcionários identificados com o Partido dos Trabalhadores (PT) e o boicote a estabelecimentos comerciais associados a esse posicionamento político. Ao republicar o conteúdo, escreveu a expressão “Não dou nem água”.

Foto: Reprodução

Segundo informações divulgadas pela imprensa piauiense, a decisão foi motivada pela incompatibilidade da manifestação pública com as exigências de neutralidade política aplicáveis aos integrantes da Justiça Eleitoral.

Servidora será investigada

O caso será apurado pela Corregedoria Regional Eleitoral por meio de procedimento administrativo. A investigação deverá analisar as circunstâncias da publicação e eventual descumprimento dos deveres funcionais.

A retirada da função de chefia não significa que a servidora tenha sido demitida do serviço público. Ela mantém o direito à ampla defesa e ao contraditório durante a apuração.

Em manifestação sobre o episódio, Lucimeire defendeu seu direito de expressar opiniões em seu perfil pessoal, fora do horário de expediente. O TRE-PI, por sua vez, encaminhou o caso à unidade competente para análise e adoção das providências cabíveis.

Trabalhadores de Picos e região podem denunciar

A repercussão do caso também chama a atenção para a discriminação política nas relações de trabalho. A escolha de um candidato ou partido não deve ser motivo para ameaças, perseguições ou punições profissionais.

No Piauí, o Ministério Público do Trabalho (MPT-PI) recebe denúncias de assédio e discriminação política no ambiente profissional. O órgão também mantém atendimento em Picos, permitindo que trabalhadores da região procurem orientação e apresentem denúncias em situações dessa natureza.

As denúncias podem ser encaminhadas pelos canais oficiais do MPT, incluindo o portal institucional e os contatos disponibilizados pelo órgão.

O episódio ocorrido em Piripiri reforça a importância do respeito às diferentes escolhas políticas e da apuração responsável de condutas que possam comprometer os direitos dos trabalhadores e a confiança nas instituições públicas.

Com informações do Portal Clube News e do TRE-PI.

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